Artigo: É preciso confiar nas pessoas


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VEREADOR EDUARDO TUMA (PSDB)

Estamos num momento crucial para enfrentar a pandemia, iniciar ou relaxar a quarentena. Durante quase três meses, o segundo sistema de monitoramento do governo do estado, com base na movimentação de aparelhos celulares, a maior parte da população da cidade de São Paulo ficou em casa. Os índices giraram em torno dos 50% de adesão, chegando muitas vezes a 60%.

Desenvolver o que é monitorado nos celulares, não como as pessoas, pode-se dizer que a maioria ficou em casa. Pode parecer pouco, mas não é. Estamos falando de uma metrópole de 12 milhões de habitantes, muitos dos quais perdem a renda, tudo o que é um ambiente político absorvido por uma política perigosa, alimentado pela falsa dicotomia entre saúde e economia – agora, uma não existe sem outra.

O fato é que se cumpriu uma quarentena de quase 90 dias. O debate sobre se está ou não na hora de abrir está superado. Pessoas precisam trabalhar, empresas precisam funcionar. São quase três meses de atividade interrompida. Muita gente não tem limite de forças para ativar a paralisação.

Cabe agora confiar na responsabilidade e na capacidade de pessoas e empresas. Tenho participado diariamente de reuniões entre diversos setores para debater uma reabertura: construção civil, imobiliárias, compras, restaurantes, organizadores de eventos, comércio de rua, varejistas, lojas de advocacia, clubes sociais.

Nessas articulações, o que mais representa um enorme senso de compromisso e responsabilidade por parte dos envolvidos. Existe, claro, um sentimento de urgência e, por fim, para muitos empreendedores que paralisam as atividades colocadas à beira de um colapso. Mas todos têm a consciência clara do desafio que pode comprometer a segurança de seus colaboradores e suas famílias, sem fim de contas, de toda a sociedade. Ninguém ignora os riscos, todos se comprometem a reduzir-los para proteger também o emprego e a renda dos paulistanos.

Sim, há medo e dúvidas. Vai funcionar? Vai haver uma segunda onda? Quando as escolas voltam? Como garantir uma recuperação sem escolas e escolas públicas? Ninguém tem respostas definitivas. Tudo é novo e a realidade de cada cidade é única. Aos poucos estamos construindo uma saída para São Paulo, com planejamento, cautela e atenção.

A quarentena nos deu condições de iniciar essa retomada. Se infelizmente, o nível de isolamento não foi suficiente para impedir a morte de mais de cinco mil pessoas na capital, deu tempo para o sistema de saúde ser reformado. Em menos de três meses, a Prefeitura ampliou os leitos de UTI em mais de 130%, passando de 507 para 1183. A Câmara Municipal também fez sua parte. Aprovamos a liberação de recursos, a transferência de dinheiro do Legislativo para a saúde, reduzimos em 30% os ganhos e as verbas do gabinete dos verificadores. Hoje, a cidade está mais bem preparada.

Não podemos descartar o monitoramento, e ter cuidado com a saúde é obrigatório. Mas a hora é avançar com economia, seguir em frente, com fé em Deus e confiança nas pessoas.

*Artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo em 17 de junho de 2020

* Eduardo Tuma é vereador pelo PSDB e presidente da Câmara Municipal de São Paulo



Fonte: Post Completo