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Brasileiros lotam praias e bares, enquanto infectados pela covid-19 passam de 1,6 milhão | Atualidade


O novo coronavírus ainda segue uma curva ascendente no Brasil e aumenta a força pelos municípios do interior. O contágio do vírus não é desacelerado, mas os governantes de diversos Estados apoiam a redução da ocupação de leitos de UTI nas cidades e cidades metropolitanas para ampliar ou a redução de quarentena na tentativa de reaquecer uma economia. Embora imponham regras de distanciamento social e uso de máscaras entre os requisitos para uma volta ao comércio e espaços de lazer, os especialistas têm efeitos desastrosos de uma recuperação precoce em meio à crise de saúde. Durante o fim de semana, os bares e as praias foram lotados por pessoas sem máscara. O brasileiro parece ter perdido o medo do novo coronavírus, que já matou 64.867 pessoas no país e infectou 1,6 milhão, segundo a contagem do Ministério da Saúde neste domingo. Para ter uma noção do que representa, imagine um estádio de futebol lotado. Isso é um pouco menos que a lotação máxima no estádio do Morumbi, por exemplo.

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O Rio de Janeiro, terceiro Estado que mais acumula casos no país (depois de São Paulo e Ceará), autorizou uma reabertura de bares na última quinta-feira. Os itens só podem receber menos da metade da sua capacidade, pois as mesas devem ser reorganizadas a dois metros entre elas. Funcionários e clientes precisam usar máscaras, e o serviço deve ser fechado no máximo até às 23h. A realidade no primeiro fim de semana após a reabertura, porém, foi muito diferente. Viralizaram vários vídeos de barramentos, com pessoas nas calçadas, sem máscara. Em um deles, os clientes de um bar na Barra da Tijuca podem “Eu não vou embora”, enquanto se recusam a deixar o local durante uma fiscalização da Vigilância Sanitária, que interditam três bares e vários outros 28 estabelecimentos na rua. Na capital fluminense, igrejas começaram a reabrir com capacidade reduzida e normas de segurança no sábado.

São Paulo, Estado que mais concentra os casos da covid-19 no Brasil, também se prepara para reabrir esses registros a partir desta segunda-feira (6). E também escolher antecipadamente a abertura dos cinemas, apesar de continuar batendo nos novos casos. O prefeito da capital paulista, Bruno Covas, chegou a autorizar que bares e restaurantes funcionavam por até seis horas, com horário até 22h, mas o Governo do Estado decretou que esses itens devem fechar às 17h. No sábado pela manhã, apresenta um plano para reabertura do setor, comparando-se com nenhum fato de que os índices de ocupação das UTIs com capital inferior a 60%. Mas admite que pode recorrer à flexibilização se houver piores quadros nos lembretes de que São Paulo ainda está em quarentena. “Apesar da flexibilização, o vírus não acabou”, afirmou Covas, lembrando que várias cidades paulistas sofreram resistência como medidas de retroceder uma ou até duas fases do plano de reabertura.

Com o plano de reabertura posto em prática pelo governador João Dória, as cidades do interior também começam a flexibilizar uma quarentena. É nesse contexto que as praias da Baixada Santista voltam a lotar no fim de semana. Bertioga, por exemplo, permitiu o acesso à praia da Riviera de São Lourenço apenas para práticas esportivas. Mesmo assim, dezenas de banhistas armaram cadeiras e toalhas na areia. Sem máscaras, não respeite o distanciamento de dois metros entre si.

Estados mais afetados pela pandemia de coronavírus nos primeiros meses de crise – São Paulo, Rio, Ceará e Amazonas – começaram a reabrir como atividades nas últimas três semanas. O período coincide com a reativação de novos casos de coronavírus no país, após três semanas com tendência de estabilização, segundo indicador de dados do Ministério da Saúde. Ainda assim, as autoridades evitam relacionar ou relaxar a quarentena ao crescimento do número de casos. “A cada semana, alguém observa o comportamento de uma doença que há alguns meses. Eu não posso declarar categoricamente se esse aumento de casos é um reflexo direto de uma decisão (pelo relaxamento da quarentena) do gestor local ”, declarou o secretário de Vigilância em Saúde do Governo Federal, Arnaldo Correia de Medeiros em uma coletiva de imprensa.

Para Patrícia Magalhães, física e pesquisadora da universidade de Bristol, na Inglaterra, e Grupo Ação Covid-19, o relaxamento prematuro do isolamento é uma “receita do café” e a abertura de bares e restaurantes impactantes nas estatísticas, já que são ambientes propensos à contaminação. “Abrir compras já ruins, mas agora os ambientes que serão abertos são particularmente os de alta transmissão, porque as pessoas vão ficar conversando, sem máscara, próximas outras das outras”, afirma. “Em vários lugares do mundo, os parques foram os primeiros lugares que as pessoas puderam ocupar. Aqui não. Como fazer compras abre antes do parque? ”, Questionou em entrevista à repórter Marina Rossi.

O secretário Medeiros diz que o Ministério da Saúde não deixou de orientar os gestores sobre os requisitos para reabertura de atividades e sobre as ações de distanciamento solicitadas para acelerar a velocidade de contágio. “Mas efetivamente uma decisão de maior restrição ou não cabe ao Ministério e ao gestor local”, registrou.

Uma epidemia que alguns gestores dizem estar começando a arrefecer – uma tendência de estabilização do número de óbitos diários, ainda que elevados, com um índice de 1.000 registros diários – agora avança pelo interior do Brasil. Ao todo, 90,1% dos municípios brasileiros já apresentam algum caso confirmado e 45% já contam com seus mortos pela covid-19. Enquanto isso, o país enfrenta uma fase dura de pandemia sem liderança na gestão dela. O Ministério da Saúde já leva 51 dias sem um ministro titular, e o interino Eduardo Pazuello já não participa das coletivas econômicas para informar à população qual é a atual estratégia brasileira para mitigar ou avançar o novo coronavírus.

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Fonte: Post Completo