Candidata trans em Salvador relata assédio nas redes sociais: “Que raba” – 11/07/2020


A psicóloga Ariane Senna, 29, criou uma conta de Whatsapp para sua campanha pelo PSB para vereadora em Salvador. Recebeu uma “enxurrada”, como relata nas redes sociais, de mensagens com propostas sexuais

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“Não teve um homem, um, que colou um adesivo no carro e que não pediu para beber uma água em minha casa, que não me pediu para transar. Não teve um homem que me olhou enquanto candidata. Isso dói muito, gente!”

Mulher trans, ela diz ter perdido a conta dos áudios, vídeos, mensagens de texto e até fotos de homens nus que recebem diariamente.

Resolveu ler alguns desses diálogos em seu perfil. Um “eleitor” se apresenta dizendo ter visto a passeata de Ariane na véspera. “Que ótimo, gostou das minhas propostas?”, Pergunta a candidata. “Gostei. Das propostas e da raba. Que raba. Linda viu, com todo o respeito. Rsrs”

“Uma candidata cis pode ser assediada, mas não com a invasão e o sentimento de permissividade que eu sou assediada como mulher trans sido. O lugar que a sociedade nos reserva é o da prostituição, da marginalidade. O grande desafio da minha candidatura tem justamente o de ousar propor deslocamento esse. Por mais difícil que seja para algumas pessoas, elas vão precisar de aceitar o fato de que nós estamos buscando como alternativa a ocupação dos espaços de poder e de decisão “, diz ao UOL.

Uma candidata diz que relutou em gravar o depoimento, com medo de perder apoio e votos, mas não viu outra alternativa diante da frequência e insistência dos perseguidores.

Eu evitei falar sobre isso o quanto eu pude, mas acho que denunciar esse assédio é uma das formas de começar a problematizar e as soluções para a questão do machismo estrutural. Se a gente faz de conta que não acontece, não muda nada.
Ariane Senna, candidata a vereadora

A história de Ariane tem características semelhantes à grande parte das pessoas transexuais. Expulsa aos 13 anos de casa, viveu da prostituição até os 17. Aí resolveu investir no ativismo político e na carreira acadêmica.

Foi educadora social de uma instituição beneficente que cuida de crianças portadoras do vírus HIV, ocupou a vice-presidência do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT do Estado da Bahia e a secretaria da Juventude da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).

Graduou-se em psicologia e assumiu um cargo na Coordenação de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado da Bahia. Apesar da guinada na vida pessoal e profissional, nunca deixou de conviver com o assédio, seja nos locais de trabalho ou nos espaços de convivência social.

“Tenho 1,85 m de altura, voz grossa e não passo despercebida em canto nenhum. Alguns homens me abordam na rua e me chamam para tomar uma cerveja no bar. Alguns mandam bilhetinho com o número do celular, outros roçam e até me apalpam no ônibus e no metrô “, relata.” Eu só não imaginava que eles repetissem esse comportamento no número do WhatsApp da minha campanha. “

Como muitas vítimas de assédio, Ariane conta que já se questionou sobre sua responsabilidade pelo comportamento obsceno alheio. “Eu já me peguei passando mais de uma hora na frente do espelho para tentar escolher uma roupa discreta. Só que não adianta usar camisa polo e calça jeans que sou assediada do mesmo jeito. Se eu usar uma burca, eles farão a coisa, porque a culpa não é de quem é assediada, a culpa é dos assediadores “, diz.

Na retomada final das mudanças, Ariane diz que “por enquanto” está focada somente em sua campanha. Mas deixa um recado para os homens que mandaram mensagens indecorosas para o seu WhatsApp: tudo está sendo arquivado.

“Não estou aqui revidando com ódio como mensagens que eu recebo, acontece que eu preciso que esses homens me respeitem e me possam ver enquanto ser humano, mulher, ativista social, candidata que tem propostas. Acredito que um dia eles serão capazes de superar esse projeto de masculinidade que o sujeito precisa objetificar as mulheres para provar que é macho. “



Fonte: Post Completo