Como evitar o fim dos oceanos e a era da escassez


<p class = "canvas-atom tela-texto Mb (1.0em) Mb (0) – sm Mt (0.8em) – sm" type = "text" content = "Por Nathan Fernandes (@nathanef)"data-reactid =" 31 ">Por Nathan Fernandes (@nathanef)

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O escritor David Foster Wallace começa seu famoso discurso “Isto é Água” narrando o passeio de dois peixes jovens. Na direção contrária, ao passar por eles, um peixe mais velho pisca e cumprimenta: “Bom dia, rapazes, como está a água?”. Confunda, os peixes continuam nadando, até que um deles faça a pergunta: “Que diabos é água?”.

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Apesar da parábola de Wallace ser sobre as dificuldades da vida adulta – que ele explica mais à frente -, ela também poderia ser entendida como uma maneira de se moldar a uma forma como lidamos com a própria questão da água no mundo. No discurso, o escritor afirma: “O ponto imediato da história dos peixes é que as realidades são mais óbvias, ubíquas e importantes são freqüentemente as mais difíceis de ver e discutir”.

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Da mesma forma, apesar da água ser parte essencial da vida na Terra, ela é tão garantida para parte das pessoas que até parece invisível, bem como seus problemas de gerenciamento. Não é o caso de quase 25% da população mundial que sofre com crises de escassez, segundo relatório do Instituto de Recursos Mundiais (WRI, na sigla em inglês).

De acordo com a instituição, 17 países, entre eles Catar, Israel, Líbano e Irã, se aproxime cada vez mais do dia em que suas torneiras secarão. “O estresse hídrico é uma grande crise sobre quem fala. Como consequências são visíveis na forma de segurança alimentar, conflito, corrupção e instabilidade financeira ", declarou o presidente executivo do WRI, Andrew Steer, no lançamento do documento.

Como lembra Antonio Carlos Zuffo, professor do Departamento de Recursos Hídricos da Unicamp, tanto quanto a qualidade dos recursos hídricos de um país depende do clima ou da disponibilidade de água – normalmente, com anos de umidade sendo sucedidos por anos de seca. “O gerenciamento é feito de acordo com o grau de desenvolvimento dos países, pois muitas soluções usam grande infraestrutura, como construção de reservatórios, sistemas de adução, tratamento de água e esgoto”, explica.

“Os países mais ricos, no geral, possuem uma infraestrutura mais adequada às suas necessidades, pois há maior planejamento e estudos. Mas não são imunes aos efeitos do clima. Por exemplo, na Austrália, apesar de ter uma boa infraestrutura e continuar empenhada em melhor-la, ainda sofre com a seca prolongada ou o excesso de extremos. ”

O dilema dos éguas e oceanos

Cerca de dois terços do planeta são cobertos por água. Mas a aparente abundância é rebatida pela dura realidade: 97% dessa água é salgada. Apesar de não poder ser consumido, ainda assim, ela tem um impacto social e econômico. “A gestão dos recursos hídricos inclui a gestão das águas costeiras, que são usadas para lazer e alimentação, por conta da atividade pesqueira, que traz produtos do mar para as mesas”, afirma Zuffo.

Por isso, é preocupante obter informações de que 25 milhões de toneladas de lixo são jogadas em éguas todos os anos, de acordo com uma avaliação da Associação Internacional de Resíduos Sólidos (Iswa), divulgada no 8º Fórum Mundial da Água, realizado em Brasília, em 2018. Só no Brasil, acredita-se que, por ano, cerca de 2 milhões de toneladas de resíduos cheguem aos oceanos – um volume equivalente a 30 estádios de tamanho do Maracanã (RJ), da base até o topo. Além disso, cerca de 80% do volume mundial tem origem nas cidades, onde há má gestão de resíduos. Ou seja, é o lixo das casas que chegam diretamente nas águas do mar.

Vista aérea da ilha Thilafushi, nas Maldivas, formada a partir de resíduos de resorts sem destino paradisíaco (Foto: Andia / Universal Images Group via Getty Images)

Segundo a ONU, se nada for feito até 2050, é possível que exista mais plástico dos peixes nas éguas (em peso). Lembrando ainda que as atuais partículas de microplástico já presentes no oceano “superam as estrelas de nossa galáxia”, como relatado ou secretário geral da ONU, António Guterres, em uma mensagem divulgada no Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), em 2018. Ou seja, para os peixes de David Foster Wallace, talvez o lixo seja algo livre de dúvidas.

Se 97% da água do planeta é salgada, apenas 3% é composto de água doce. Destas, 2,5% estão congeladas nas geleiras polares, e os aquíferos subterrâneos permanecem com grande parte do restante 0,5%. Neste cenário, no Brasil, que guarda cerca de 12% da água doce do planeta, torna-se praticamente um paraíso. Mas, se o inferno é feito de escassez e privações, por aqui, não estamos longe disso. Além das regiões semiáridas, grandes cidades como São Paulo, Brasília e Fortaleza sofreram (ou ainda sofrem) racionamentos nesta década.

“A realidade da questão hídrica no país é extremamente heterogênea”, afirma o secretário executivo do Observatório de Governança das Águas (OGA), Angelo José Rodrigues Lima, doutor em Geografia em Análise Ambiental e Dinâmica Territorial e mestre em Ciências de Planejamento Energético. Segundo a Agência Nacional de Água (ANA), uma região Norte concentra aproximadamente 80% da quantidade de água disponível no Brasil, mas representa apenas 5% da população. Enquanto isso, como regiões costeiras, que possuem mais de 45% da população têm menos de 3% dos recursos hídricos do país.

“Diante deste quadro, os desafios da gestão das águas aplicadas: incorporar uma heterogeneidade de soluções que são demandadas em um país de escala continental em um contexto ainda problemático em termos, por exemplo, de saneamento básico; garantir a efetividade dos mecanismos de fiscalização e governança; e garantir a tomada de decisão com base em conhecimento técnico-científico ”, afirma Lima.

Desde 1997, instituído pela Lei das Águas para Tratamento de Bacias e Mananciais, o Brasil conta com o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH), um conjunto de órgãos e colegiados, que hoje tem cerca de 235 comitês de bacias, com aproximadamente 11 mil participantes envolvidos diretamente.

“Os legisladores que aprovaram a lei 9433 (Lei das Águas) eram muito felizes, mas o fato ainda não havia nenhum resultado mais prático para garantia de água em quantidade e qualidade nas bacias, porque ainda não tinham todas as condições para que isso aconteça ”, acredita Lima, ressaltando a necessidade de estimativas cíclicas. “O monitoramento deve ser feito para avaliar o processo de gerenciamento com indicadores de governança, mas também indicadores de resultados e impacto.”

Para ajustar as questões do tipo, até o final de 2020, está em construção no Brasil ou no novo Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), que vai planejar o uso de suas águas nacionais entre 2021 e 2040. “O momento de planejar um plano nacional é um momento riquíssimo para fortalecer o papel político da participação social e manter as conquistas da gestão descentralizada e participativa da gestão das águas ”, incentiva Lima. “Um avanço que deve ser entendido como a água não pode ser visto apenas como recurso econômico, mas deve refletir a compreensão de que existem ecossistemas aquáticos com vida animal e vegetal.”

<p class = "tela-átomo tela-texto Mb (1,0em) Mb (0) – sm Mt (0,8em) – sm" type = "text" content = "A participação é principalmente nos Conselhos nacionais e Estados e Comitês de Bacias Hidrográficas, qualquer pessoa pode se envolver no processo (informações pelo e-mail & nbsp;[email protected]) “É importante investir no fortalecimento da sociedade e no fortalecimento dos Estados para a gestão de recursos hídricos. "Não há governança sem isso", acredita Lima, mostrando que talvez seja o caminho mais eficiente para evitar a alienação de peixes de David Foster Wallace. & Nbsp; "data-reactid =" 79 "> Estados e Comitês de Bacias Hidrográficas, qualquer pessoa pode se envolver no processo (informações pelo e-mail [email protected]) “É importante investir no fortalecimento da sociedade e no fortalecimento dos Estados para a gestão de recursos hídricos. Não há governança sem isso ”, acredita Lima, mostrando que talvez seja o caminho mais eficiente para evitar a alienação de peixes de David Foster Wallace.



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