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Delegado foi levado a Bolsonaro antes de ser nomeado superintendente do Rio – Rubens Valente


O atual "número dois" da Polícia Federal e ex-superintendente da PF no Rio de Janeiro, Carlos Henrique Oliveira de Sousa, disse nesta terça-feira (19) que foi levado pelo diretor da Agência Brasileira de Inteligência da Abin, Alexandre Ramagem , um encontro com o presidente Jair Bolsonaro no segundo semestre de 2019, na mesma época em que seria nomeado superintendente da PF no Rio.

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Segundo Sousa, o encontro foi promovido por Ramagem para quem conheceu Bolsonaro. Negou que o presidente tenha feito perguntas sobre inquéritos em andamento na PF do Rio. Reunião de reforma do interesse pessoal de Bolsonaro na Superintendência do Rio.

Sousa não soube dizer com exatidão os dados da reunião, mas ocorreu "no segundo semestre" de 2019. Em novembro desse ano, ele foi nomeado superintendente da PF no Rio. Ele confirmou que, quando foi chamado à reunião, ainda era o superintendente da PF em Pernambuco. Seu nome, porém, já era cogitado como substituto do delegado Ricardo Saadi no Rio, que saiu da carga em meio a pressões públicas de Bolsonaro.

Sousa disse que, assim como foi convidado por Ramagem, informou ou entre em contato com o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, mas ele não pôde compará-lo ao encontro porque estava em viagem. Sousa afirmou que a reunião foi comunicada por Valeixo ao então ministro, Sergio Moro, que também não comparou ao encontro.

Indagado se Bolsonaro já sabia que Sousa foi indicado como superintendente da PF no Rio, Sousa disse que "o presidente não disse isso diretamente, mas que já era um dado público na época".

"Não foi declarado nenhum objetivo específico para sua audiência com o presidente Jair Bolsonaro; o delegado Ramagem apenas apontou que seria importante ou importante (Sousa) conhecer o presidente Bolsonaro".

O encontro durou 20 a 30 minutos. Nesse tempo, diz o delegado, Bolsonaro falou "de sua trajetória, como normalmente fala ao público". Sousa também foi indagado se soube de algum outro superintendente da PF levado para um encontro com o presidente da República e ele respondeu que não tinha conhecimento.

O delegado foi indicado sobre outros nomes de policiais da Superintendência do Rio que próximos a Jair Bolsonaro. Ele citou ou delegou Márcio Derenne, que seria o próximo filho de um presidente, mas Sousa não soube dizer qual. Derenne é atualmente representante da PF na Interpol, na ONU, mas Sousa disse que desconhece qualquer política política para a escolha de carga e que Derenne "submeteu um processo de seleção rigoroso".

Sousa explicou ainda que a Derenne em várias oportunidades foi acessada pela PF para trabalhar em outros órgãos, como a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio, o gabinete do senador Lindbergh Farias (PT), "junto ao ministro Picciani Filho", uma indicação provável o ex-ministro dos Esportes Leonardo Picciani (MDB), filho do deputado estadual Jorge Picciani, um dos investigados da Operação Cadeia Velha, deflagrada pela PF do Rio em 2017.

O delegado pontuou ainda que o senador Flávio Bolsonaro, então deputado estadual, participou de "eventos públicos na Superintendência Regional do Rio de Janeiro e (de) eventos sociais promovidos pela Associação dos Delegados Federais".

Vazamento foi apurado

Sousa prestou hoje o segundo depoimento, agora a seu pedido, no inquérito que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) para apurar como denúncias do ex-ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) de suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro no comando da Polícia Federal. Ele já havia falhado no mesmo inquérito no dia 13 de maio e pediu para ser reinquirido.

No segundo depoimento, Sousa corrigiu um trecho da sua primeira fala e confirmou que foi procurado por Ramagem no último dia 27 de abril – ele estava aqui que não foi procurado por Ramagem.

O delegado também foi indagado sobre o vazamento de informações antes da deflagração da Operação Furna da Onça, que investiga os assessores da Assembleia Legislativa do Rio, incluindo Fabrício Queiroz, amigo e ex-assessor do atual senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro.

Sousa confirmou ter conhecimento de indícios de que a operação sofreu um vazamento. Um dos investigados, por exemplo, Affonso Monerat, recebeu uma equipe da PF "com um diploma universitário nas duas mãos". O delegado disse que foi determinada a abertura de um inquérito para apurar ou vazar.

O delegado explicou que a investigação foi concluída mas "não é o que diz o que ocorreu" ou vazou, ou seja, um PF não detectado pelos autores do vazamento.

Contradições mantidas

No primeiro depoimento, Sousa contradiz o presidente Jair Bolsonaro duas vezes. Primeiro, afirmou que a Superintendência do órgão no Rio não teve problemas de execução quando assumiu a carga, em novembro de 2019, em substituição ao delegado Ricardo Saadi.

Uma versão contrariada por Bolsonaro divulgada em agosto de 2019. Quando exibido pela imprensa na frente do Palácio da Alvorada, sobre como pressionar para trocar ou então superintendente da PF no Rio, Ricardo Saadi, Bolsonaro disse que era uma questão de "teste".

A segunda contradição de Sousa em relação ao presidente ocorreu quando o delegado foi indagado se tivesse conhecimento "de investigações sobre familiares do presidente nos anos de 2019 e 2020" na superintendência da PF no Rio. Ele respondeu que houve "uma investigação no âmbito eleitoral cujo inquérito já foi relatado, não tendo havido indicação". É uma referência a um inquérito sobre um filho de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro.

A informação de Sousa contrariou uma declaração recente de Bolsonaro. Na terça-feira (12), um dia antes do depoimento de Sousa, o presidente registrou: "Nunca estou preocupado com a Polícia Federal. Nunca tive minha família investigada pela Polícia Federal. Isso não existe no vídeo. (…) Vi uma TV agora dizendo que eu interferi na PF em defesa da família. Isso não existe no vídeo. "

O delegado manteve como suas duas aplicações no seu novo depósito.



Fonte: Post Completo