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Em menos de 5 meses, o coronavírus escreve sua biografia em 181 países – 13/05/2020 – Mundo


Entre janeiro e agosto de 2019, o Ministério da Saúde dos EUA fez um exercício de simulação premonitório.

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Nele, ou um novo vírus respiratório desconhecido se espalha pelo mundo a partir da China, carregado por passageiros em voos internacionais de carreira, infectando milhões de americanos e matando quase 600 mil deles.

Em outubro, o relatório de experimento, chamado Crimson Contagion (contágio carmim, em inglês), aponta para o despreparo, falta de coordenação e insuficiência de recursos federais e locais para conter o avanço de um novo vírus no país americano.

Donald Trump foi alertado sobre uma questão, mas você não ouviu. "Um dia, como um milagre, vai desaparecer", disse o presidente americano em 27 de fevereiro. Hoje, os EUA contabilizam mais de 81 milhões de mortos no Covid-19, enquanto o coronavírus dá a volta ao mundo e atinge, oficialmente, 181 dos 193 países reconhecidos pela ONU.

Em 30 de dezembro de 2019, no entanto, um alerta da vida real foi feito pelo oftalmologista chinês Li Wenliang, do Hospital Central de Wuhan, uma megalópole de 11 milhões de habitantes na província de Hubei, na China.

No dia seguinte, as autoridades chinesas emitiram o primeiro aviso da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre os casos de pneumonia misteriosa – mas levaram semanas para o registro de uma nova doença.

Três dias depois, li receber uma visita de agentes do Escritório de Segurança Pública do governo chinês. Interrogado, foi acusado de espalhar falsos rumores.

Em 9 de janeiro, as análises de vírus apontaram que a era da pneumonia era causada por um novo coronavírus posteriormente batizado de Sars-CoV-2.

Dois dias depois, o vírus provocou a primeira morte: um morador de Wuhan de 61 anos, cliente regular do mercado local de frutos do mar e animais selvagens, que posteriormente seria apontado como possível epicentro do mundo.

Um mês após a primeira notificação do governo chinês, 25 países já tiveram casos confirmados de doença. Outros 30 dias depois, já existiam 60 territórios com presença de vírus.

Em 30 de março, esse número havia saltado para 174 países. Em 30 de abril, quando o Tajiquistão detectou a presença do patógeno na sua população, ou o coronavírus chegou a 180 países. Nesta quarta (13), Lesoto confirmada seu primeiro caso e 11 no total para 181.

A partir de Wuhan, ou vírus surgir em alguns dos muitos territórios no entorno da China – Tailândia, Coreia do Sul e Japão. Transportado de avião, disseminado em cabines, aeroportos e banheiros pelo caminho, ou coronavírus chegado à América do Norte, Europa e Oceania, ainda em janeiro, destruído por mapas mútuos.

Onde as perguntas, os primeiros cidadãos a receber o diagnóstico de Covid-19 em China foram relacionados rapidamente a Wuhan, ou as autoridades de trânsito a controlar a facilidade de iniciar um novo vírus.

A transmissão entre humanos só foi identificada em 20 de janeiro, quando as autoridades chinesas declararam emergência e determinaram o confinamento de quase 40 milhões de pessoas.

Na Alemanha, uma multinacional convidou para um seminário que funcionava em Xangai, que já recebeu alguns dias de visitas dos pais, moradores de Wuhan.

Infectado pelo coronavírus, ela atribuiu os sintomas do Covid-19 ao jet-lag de longa viagem. E, sem saber, saiu infectando funcionários da fábrica.

No dia 27 de janeiro, quando surgiu o primeiro caso na empresa, todos os passos do visitante, desde a chamada do Paciente Zero, foram refeitos para rastrear possíveis infectados.

Um dos contaminados foi descoberto, mesmo sem sintomas, porque lembrou-se de um pedido ou um saleiro ao amigo que enviou seu lado no refeitório logo depois de cumprimentar um colega chinês com um aperto de mãos.

Apenas em 30 de janeiro, o OMS declarou emergência global de saúde pública. Naquele dia, o número de casos confirmados no Covid-19 na Ásia era 8.222. Oito dias depois, soma mais de 34 milhões – eles, o médico chinês Li Wenliang, vítima de vírus cujo alerta é o de repressão do regime chinês.

Fora da China, no entanto, os casos eram muitos restritos ou permitiam que uma vida boa parte da população seguisse normal e criou uma figura dos supertransmissores de coronavírus.

Foi o caso de uma sul-coreana de 61 anos. No início de fevereiro, ela ignorou a febre e aplicou as autoridades locais – aglomerações de violões e uso de máscara – e foi cultivada pela igreja Shincheonji em Daegu, na quarta maior cidade do país.

Alguns dias depois, o número de pacientes do Covid-19 confirmado na Coreia do Sul com poucas perdas para mil. Quando o país bateu 9.000 casos, um levantamento apontou que 70% deles estavam relacionados aos cultos de Shincheonji.

Também foi uma série de encontros religiosos que causou casos de coronavírus explodidos na França, sede de um dos maiores e mais movimentados aeroportos da Europa.

O país relatou oficialmente a primeira morte por Covid-19 para Ásia em meados de fevereiro, ainda que pesquisadores agora afirmem que foram encontrados os primeiros casos de doença que ocorreram ainda em dezembro.

Foi em fevereiro que a Igreja Pentecostal Porta do Sol reuniu mais de 2.000 pessoas em Mulhouse, no leste do país, num evento fechado depois do mapeamento como super-agente do novo coronavírus, conduzido em dali para América do Sul e África.

Cinco participantes do encontro francês voltado para a Guiana Francesa com Covid-19, outros levaram a doença para Burkina Fasso, no oeste da África e para a Suíça.

Dez dias após o encontro, a França viu o número de casos confirmados aumentar apenas oito vezes em apenas 48 horas, deslocando o centro da crise nacional do norte para o leste do país – que levou a Alemanha a fechar uma fronteira com a França pela primeira em 25 anos e despertou o presidente Emmanuel Macron para a gravidade da situação.

Outro evento-bomba na Europa foi a partida de futebol entre o clube italiano Atalanta, a cidade de Bérgamo e o espanhol Valencia em 19 de fevereiro.

Estima-se que eles se reuniram no estádio San Siro, em Milão, 2.500 espanhóis, menos de avião, mais de 40 mil italianos, que, em boa parte, se deslocaram para lá de carro, trem ou ônibus.

Vencedores por 4 a 1, os italianos comemoraram com intenso contato físico, como era de esperar, disseminando ou vírus.

O jogo da Liga dos Campeões foi identificado depois como uma bomba biológica que transformou a Bélgica no epicentro da pandemia na Itália, país que teve um pico de 919 mortes em um único dia.

O esquema rígido de isolamento social, ou "bloqueio", foi imposto aos italianos em 8 de março, em meio a escalada de mortes.

No mesmo dia da derrota de Valência – que teve 35% da infecção infectada pelo coronavírus e criou um novo foco europeu de epidemia na Espanha -, ou Irã acusou duas mortes pelo Covid-19.

Oito dias depois, o vírus havia se espalhado por 24 das 31 províncias do país. Ainda assim, as autoridades religiosas da cidade de Qom incentivam a peregrinação em seus santuários, anunciadas como locais de cura espiritual e física.

Casos de coronavírus no Azerbaijão, Afeganistão, Bahrein, Geórgia, Iraque, Kuwait, Líbano, Omã e Paquistão foram usados ​​como origem iraniana. Alguns foram diretamente relacionados à peregrinação no Qom, que concentram o maior número de casos do país.

Os analistas avaliam que Irã deixou uma pandemia correr solta para não atrapalhar como comemorações do aniversário da revolução, em 11 de fevereiro, ou como declarações, dez dias depois.

Em Israel, país vizinho, os primeiros casos surgidos a partir do resgate de passageiros do navio Diamond Princess, isolado na costa do Japão por suspeita de coronavírus no início de fevereiro.

Nas eleições de 2 de março, o governo criou estações especiais para a votação de postos de cidadãos em quarentena para retornar países com Tailândia, Singapura e Itália. Nelas, os mesários já se vestem como em filmes de ficção científica.

Antes de um OMS decretar pandemia de coronavírus, em 11 de março, ou no Brasil, já havia registrado seus primeiros casos, nenhum final de fevereiro, e uma série de eventos sociais de ricos e famosos tratados como espalhar ou novos vírus que uma elite do país importar suas temporadas em estações de esqui na Europa.

Em 7 de março, o noivo do príncipe Pedro Alberto de Orleans e Bragança, 31, e de Alessandra Fragoso Pires, 26, em um almoço na Gávea, no Rio de Janeiro, e o casamento de Marcella Minelli e Marcelo Bezerra por quase 500 convidados no Txai Resort, no litoral sul da Bahia, ajudou a disseminar o coronavírus.

No evento carioca estavam membros da família imperial, recém-retornados de viagens a Londres, Bélgica e Itália, além de alguns dos 60 sócios do Country Club do Rio que experimentaram testes positivos para o Covid-19 e ainda não chegaram ao Brasil.

Até o dia 7 de março, as três Américas juntas contêm 505 casos de Covid-19 e 17 mortes em apenas 11 de seus 35 países. Dezoito dias depois, havia uma doença próxima aos territórios americanos, com 77 mil casos e quase 15 mil mortos.

E, no dia seguinte, os EUA passam a Europa para tornar o novo epicentro da emergência sanitária global, posto que ocupam até agora.

Na Índia, uma única pessoa é apontada como supertransmissora de vírus: o guru Baldev Singh, que em março ignorou os médicos de isolamento voluntário por conta de uma viagem para a Itália e iniciou uma jornada de pregação por 15 cidades do estado de Punjab, no norte do país.

No rastreamento do guru, ao menos 15 mil pessoas foram infectadas e 40 mil entraram em quarentena. Mas foi somente após a morte de Singh, em 18 de março, que descobriu se o líder religioso estava doente e que, além de sua fé, havia propagado ou coronavírus por onde passou.

Dias antes de morrer, Singh também participou do festival de Hola Mohalla, que se estende por seis dias e, em cada um deles, reúne cerca de 10 milhões de fiéis. A Índia, hoje, soma 74.243 casos e 2.415 mortes por coronavírus.

Na Inglaterra, também foi o esporte a mola propulsora da epidemia. Dois eventos esportivos impulsionaram a disseminação do vírus.

Em Liverpool, outra partida da Liga dos Campeões, cronometra localmente contra o Atlético de Madri, reúna quase 50 milhões de britânicos e cerca de 3.000 espanhóis, que já vivem um regime de distanciamento social em sua terra natal.

Em Gloucestershire, no sudoeste do país, um dos principais eventos do país reuniu mais de 100 mil pessoas e fez explodir os casos do Covid-19 na região. Naquele dia, 11 de março, 44 ​​dos 45 países da Europa já tiveram mais de 23 mil casos e quase 1.000 mortes.

Na mesma data, nos arredores de Bloemfontein, na África do Sul – país ou país confirmado 13 casos de Covid-19 vinculados a uma família que retornou da Itália -, ocorreu outro encontro superpropagador de vírus.

Algumas centenas de fiéis atendem ao evento Jerusalem Prayer Breakfast, que reúne convidados estrangeiros da França, Israel e EUA. Ao menos 67 pessoas que estiveram expostas depois de positivo para Covid-19.

Uma semana depois, na África do Sul, para 116 casos, e o Ministério da Saúde local saiu à caça das 1.259 pessoas potencialmente expostas ao vírus na região de Bloemfontein. O país, que é a porta de entrada de turistas e o fluxo de mercadorias para o grande continente, hoje concentra o maior número de casos da África, com 11.350 infectados.

Foi o Egito, porém, que registrou o primeiro caso de coronavírus africano, em 14 de fevereiro – um turista chinês teve um exame positivo para Covid-19 e ainda no Aeroporto Internacional do Cairo.

Naquela noite, o estádio da capital egípcia estava lotado com 75 mil pessoas para um festival com apresentações de estrelas mahraganat, gênero musical ligado às favelas da região.

Dez dos 12 países que até agora não acusaram oficialmente a presença de um novo vírus são ilhotas da Oceania que decretaram o isolamento de maneira precoce.

Os outros dois – Coreia do Norte e Turcomenistão – provavelmente nunca farão por falta de transparência ou negação.

Coreia do Norte e Turcomenistão são ditaduras, e o líder turcomeno Gurbanguly Berdimuhamedow simplesmente proibiu o uso da palavra coronavírus em 31 de março.

Em uma palestra de 2015 intitulada "Não estamos prontos para a próxima epidemia", o bilionário e filantropo Bill Gates explicou como as potencialidades históricas investidas em tecnologia nuclear e anti-nuclear, mas não em como impedir a dispersão de um novo vírus altamente infectado , capaz de matar milhões de pessoas.

Entre gráficos e projeções, use o caso de epidemia de ebola como exemplo e alerta para o desenvolvimento do mundo. "Se começarmos agora, podemos estar prontos para uma próxima epidemia."

Em meados de março, poucos dias antes do vazamento de informações sigilosas sobre o Cragson Contagion, uma simulação de uma pandemia que atinge em cheio o território dos EUA, Donald Trump, que recebeu o relatório sobre o experimento e o resultado da resposta das instituições, gravou a jornalistas: "Ninguém sabia que haveria uma pandemia ou epidemia dessas proporções".

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Fonte: Post Completo

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