Espaços alternativos de cultura parecem obrigados a fechar como portas em Salvador por falta de apoio durante uma pandemia


Desde épocas anteriores, o universo alternativo de cultura sobrevive a duras penas na Bahia. Mesmo antes desse processo pandêmico, que terminou com o fechamento de boas casas de gênero, tente viver arte em fóruns do padrão convencional sempre foi um processo árduo, principalmente por aqui, uma terra famosa por privilégios principais como festas de grande aglomeração.

A partir de março desse ano, com a determinação da faixa de fechamento de todos os espaços artísticos de Salvador em funções de proliferação de novos coronavírus, a maior parte de produtores e artistas baianos, que dependem desse nicho alternativo de mercado e quase nunca contamina patrocínios e apoios oficiais, está desnorteado com paralisação do setor e, por tabela, com o fatídico desemprego.

Já estão abertas as portas do sebo literário Porto dos Livros (Barra), Rhoncus Pub & Beer Store (Rio Vermelho), Brooklyn Hub Criativo (Bonocô), Zungu Iyagbá (Rio Vermelho) e Jam Music Bar (Cajazeiras), só para citar alguns espaços. Outros estão tentando resistir e se reformulando.

Para o produtor cultural Rogério Big Bross, esses espaços alternativos são fundamentais para a cultura e, além de movimentar muito dinheiro, criam empregos. “Para músico profissional, essas pequenas casas, muitas vezes, sustentam-se com o complemento de salário. E para os músicos de voz e violão, de barzinho, era a única forma de renda que salvava ou cara. É onde o artista inicia uma carreira. É tudo que está começando tudo, onde ele aprende um profissional ”, sentença Big.

O produtor aproveita para lembrar que, ainda por cima, essas casas vão reabrir com muitos protocolos. “Isso aumenta muito os custos até reduzir o número de freqüentes e aumentar o número de cuidados com a higiene. Impostos já podem ser reduzidos para todas as casas que passam por uma reforma para reabrir. Mas são muitas dúvidas, ninguém sabe ao certo como será essa reabertura ”, adianta Big.

E apesar dos limites, mesmo levando rasteira, uma cena independente resistente e com um estado bastante ativo, principalmente em forma de 'vidas' na ambiência do universo virtual. “Está todo mundo quebrando preconceito com a Internet e aprendendo a usar outras maneiras”, revela o produtor.

Falta de apoio – Sem falar nas pendências financeiras com as contas para pagar e sem tirar os proventos, os profissionais ainda estão tendo que lidar com o abandono por parte de órgãos oficiais do governo.

Jamerson Silva, músico, proprietário do Jam Music Bar, um pub de música ao vivo, diz que encerrou completamente as atividades no dia em que uma casa completou quatro anos de existência – 16 de abril.

“Se não houvesse fechado, haveria uma dívida de, no mínimo, R $ 12 mil. Não teve esforço do poder público. A federação somente distribuiu algumas cestas básicas para alguns músicos, inclusive dentro de uma escolha muito controversa ”, comenta Silva.

Como sobrevive do lucro da casa, o músico aposentado garante que está vivendo o auxílio emergencial do governo e da ajuda de amigos. “Tenho vontade de reabrir o bar, então já entreguei o ponto. Mas, de qualquer forma, enquanto não houver vacina, antes de um ano, não dá para pensar em fazer nada ”, lamenta Silva.

Para Renata Magioli, gestora da casa de cultura Zungu Iyagbá (Rio Vermelho), mesmo com a redução do aluguel, por parte do proprietário, não foi viável seguir executando. “Não há alternativa alternativa, seria uma imprudência para continuar. Não há política pública voltada para apoiar o microempresário nessa pandemia ”, relata um Magioli carioca.

A Zungu tinha um ano de atividade e era um espaço que propunha uma visibilidade em cena independente da cidade e criava interlocução com novos artistas. “Era um espaço feminista, de gênero, que abrigava uma diversidade de manifestações culturais”, conta Magioli.

Ao contrário de Renata, Vince Athayde, produtor cultural, músico e sócio do Commons Studio Bar (Rio Vermelho), informações que eles ainda não fecham como portas.

“Estamos resistindo, acumulando dívidas e negociando com o proprietário do imóvel, que também tem passado uma situação difícil. É um momento delicado. Estamos reconfigurando o negócio, buscando minimizar os impactos e estudando as possibilidades de caminhar durante esse processo e pós-pandemia ”, esclareceu Vince.

Virtualidade – Já com situação semelhante a Renata, Lúcio Urbanetto, Sócio do Porto dos Livros, garante que mesmo ou proprietário do espaço barateando ou aluguel, não foi possível continuar. “O lucro não era suficiente para manter aberto. Seguimos trabalhando on-line, através do nosso Instagram @portodoslivros e mantendo o delivery ”, conta Urbanetto.

Ele garante ainda que o artesão vai voltar assim que acabar com uma pandemia, e sebo não era apenas um espaço de venda de livros. “Só não sabemos ainda que local. Por enquanto, ele acontece on-line uma vez por mês no nosso Instagram ”, informa.

Como mover todos eles é um fato de trabalhar com cultura, de construir um espaço que dialoga com uma cidade, com o seu cotidiano, segundo ou sócio-curador do Commons. “Não vamos fugir disso para sobreviver, muito pelo contrário. Vamos aprofundar mais esses aspectos para superar este processo ”, concluiu Vince.

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Fonte: Post Completo