Serviço de Desentupidora em São paulo

Pandemia obriga família a pagar aluguel para manter casa, mas morar na rua por comida – 10/06/2020 – Cotidiano


Uma quarentena por causa do coronavírus levado para baixo dos marquêses da capital paulista famílias que têm casa, mas, sem trabalho, não paga o aluguel e ainda abastece uma despesa. Elas escolhem manter a moradia, mas, em busca do que comer, trocar ou teto pelo banheiro.

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Ingrid Alves, 26, e Júnior Bezerra, 27. Eles, junto com filhos de 6 e 4 anos, dormem algumas semanas em frente ao Theatro Municipal, no centro, a 1h30 de ônibus de casa, no Cantinho do Céu, periferia do extremo sul da zona. Ali, receba café da manhã, almoço e janta em marmitas feitas por voluntário. Guardam parte para levar embora.

Os dois trabalhavam como camelôs e vendiam bala a pano de prato em semáforos. Desde março, no entanto, com menos carros e mais medo de infecção pelo coronavírus, como vendas pararam. “Ninguém quer mais abrir o vidro. Se antes já era difícil, agora como pessoas têm mais um motivo para não olhar para você ”, diz Júnior.

O auxílio emergencial do governo federal, de R $ 600, não foi suficiente para cobrir os gastos. “Conseguimos finalmente montar uma casa no começo do ano. Quando foi certinho lá, veio uma pandemia. Agora tem um lugar para morar, mas não tem que comer. Vimos o armário esvaziar. O que sobra não dá para comprar cesta básica, mistura, gás e bolacha para crianças. ”

Ele diz ter medo de ficar doente, por ser fumante e obeso. "Ou a gente morre de 'coroa' ou de fome."

A cidade não sabe dizer se há hoje mais pessoas vivendo nas ruas da capital. Isso ocorre porque a última contagem feita pela administração municipal foi no censo de 2019, divulgada no fim de janeiro, quando havia pouco mais de 24 milhões de pessoas nessa condição.

UMA Folha percorreu nesta quinta (4) e sexta-feira (5) bairros onde comumente se concentra pessoas em situação de rua. Alguns estavam vazios, outros aglomerados. Todos os moradores de rua tinham máscaras de pano de fundo, mas quase ninguém como usava antes de ser abordado pela reportagem. Ninguém reclamou de passar fome na rua. Como marmitas vêm da cidade ou de voluntários, mas não raras.

"Aqui, olha, tem até mamão, pão, leite e água com gás", diz Marcos Antônio de Souza, 45. Até abril, ele trabalhou como gari, mas acabou dispensado no meio da pandemia, junto com outras equipes de funcionários. Saia da pensão em que vivia, na avenida Vergueiro (zona sul), e instale a poucos metros dali, na calçada do Centro Cultural São Paulo.

"Ficar na rua não é bom, sua vida fica exposta, tem muita maldade, preconceito. Você vê que tacam fogo, batem", diz, lamentando perder o salário antigo de R $ 1.300. Marcos não tem família, nunca foi casado nem teve filhos. "Se minha mãe era viva e soubesse que eu tava na rua, viria me buscar na hora", ele não usa máscara "porque sufoca" e está sem álcool no gel, já que "o tubinho que me deu era pequeno "

Sua companhia são livros e bottons de punk rock. Ele também guarda uma mala de roupas e casaco, parte do uniforme de gari. "Não passo fome nem sede aqui. Mas quero voltar logo a ter um trabalho", diz.

O caso de Marcos se repete. São pessoas que ganham um salário mínimo e perdem o emprego ou uma fonte de renda automática em quarentena. Já vulneráveis, fomos rapidamente pressionados para como calçadas.

Um exemplo é o casal Eliete de Andrade, 31, e Jorge Muler, 30. Eles moravam no Butantã e trabalhavam informalmente em uma loja de roupas do Brás. Ganhavam cerca de R $ 1.200 por mês. Mas, quando uma loja precisa fechar como portas, em março, ambos foram emitidos sem nenhum direito.

Nós fomos parar uma marquise no Largo de São Francisco, no centro. Conseguiram uma barraca com uma ajuda de um frade. Assim também eles conseguiram comer um miojo quente e tomar banho.

Eliete é baiana e está em São Paulo há oito anos. Sem os documentos que perderam, ela não consegue solicitar o auxílio emergencial. O benefício de Jorge está em análise.

“Nós nos cuidamos. Tem álcool em gel, máscara, lavamos a mão, como roupas ”, dizem os dois, que estavam sem máscara. Os sintomas de Covid-19, enumeração Eliete, são tosse, tontura. “A gente só não sabe mais porque tá sem celular, o dele foi roubado.”

Verônica Alves, 30, também tem dúvidas. “Sabemos que tem uma pandemia, mas não como cuidar, para onde correr se pegar. Colocaram um monte de feriado na mesma semana, ninguém entendeu. Tem gente morrendo na rua mesmo, sem atendimento ", diz ela sobre três casos em que os indivíduos tinham sintomas de Covid-19.

Verônica explica por que não usa máscara. "Só tenho uma, de feltro, que pinica e me dá alergia."

Ela trabalha vendendo brigadeiro na rua e marido era carregador. Com dinheiro, alugado para um quarto em Santana, por R $ 450. Quando comparado a vendas e produtos químicos, foram para uma ocupação, que acabou sendo desocupado pela polícia pouco depois.

Com o auxílio emergencial, o casal pode contratar outro quarto, no Glicério, mas ele foi impedido por ser transexual.

Gabi Dila, 54, outra mulher trans, trabalha com personalização de roupas em um projeto social e morava em um albergue. Em março, selecione o Nordeste, o próximo a família, mas acabou expulsa de lá. “Disseram que eu tava levando a Covid para eles. Essa pandemia que fala, né ?! ”

Ela, que já teve tuberculose e pneumonia, agora dorme no Pátio do Colégio, no centro, “levando chuva, sol. Já está começando a sentir uma sinusite, essa dor de cabeça. ” Sua máscara está larga e deixa o nariz à mostra.

“Claro que eu tenho medo, se você pegar (a doença) é direto para o caixão. Mas também tenho medo da maldade da rua. De tacarem fogo nas bicha ", diz.

A Prefeitura, sob gestão de Bruno Covas (PSDB), declara reforma da distribuição de marmitas nas regiões de maior demanda: Sede, Mooca, Lapa, Vila Mariana, Santo Amaro, Pinheiros e Santana. Foram 332 mil no total. Em abril, foram instalados no centro histórico banheiros e chuveiros, que têm funcionado, mas ficam abertos até às 19h.

Também é possível distribuir 15 mil kits de higiene e 20 mil máscaras, além de 3.500 cartões do Bom Prato, ou restaurante popular. A entrega de uma nova remessa, de 8.000 cartões, começou nesta segunda-feira (1). Quem não tem vaga fixa na albuergue pode comer gratuitamente.

O déficit em abrigos para pernoites é de cerca de 12 mil vagas. A federação afirma ter criado dois novos equipamentos emergenciais para hospedagem, totalizando 672 novas vagas.

Para um local na Lapa, na zona oeste, são registrados como pessoas suspeitas de Covid-19, e em outro lugar, na região da Vila Clementino (zona sul), oferecidas pelos principais diagnósticos.

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Fonte: Post Completo