Para todos! Filmes e séries que foram exibidas pensando em acessibilidade


Em meados de abril, o Canaltech deu início a uma série chamada "Inspiradores", focado em influenciadores que participam de minorias, e em uma das partes dessa série apresenta influenciadores com surdez, que, em meio a um conteúdo pouco presente nas redes sociais, conquista cada vez mais espaço para a exportação de detalhes de um histórico familiar conhecido pelas pessoas ouvintes E parece que legal: nessa mesma época, uma série bem diferente entrou para o catálogo da Netflix. Crisálida é a primeira série de ficção em linguagem brasileira de sinais (Libras) e português.

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“Num universo em que não existe, jovens surdos enfrentam desafios de uma sociedade criada apenas para ouvintes”, contêm uma sinopse da série que estreou na Netflix no Brasil e em Portugal no dia 1º de maio. A produção nacional, exibida em Santa Catarina, alterou a percepção tradicional sobre surdos, que, segundo o IBGE (2010), soma cerca de 9,7 milhões de pessoas no país. Fruto do Prêmio Catarinense de Cinema, Crisálida É realizada numa parceria entre a Arapy Produções, a Raça Livre Produções e a TVi Televisão e Cinema.

O projeto da série foi criado em 2014 pela autora Alessandra de Rosa Pinho, aluna de Letras Libras na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Naquele ano, foi vencedor do Edital do Fundo Municipal de Cinema de Florianópolis para produção de episódio piloto. Dirigido por Serginho Melo e com fotografia de Edison Fattori, próximo a Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM) e convidados convites para festivais e eventos da comunidade surda.

Em 2016, o projeto foi contemplado no Prêmio Catarinense de Cinema por uma produção de quatro episódios de 30 minutos. A pré-estreia ocorreu em dezembro de 2018, na Mostra Surdocine do Festival Internacional 7º Curta Brasília. Em setembro de 2019, estreou na TV Cultura e, a partir daí, um novo produto foi criado, originando a longa metragem Crisálida – O Filme, destinado a mostras e festivais. Recentemente, o projeto de Crisálida foi contemplado no Prêmio Catarinense de Cinema 2019 para produção da segunda temporada. A previsão é que o lançamento ocorra em 2021.

A equipe do Canaltech converse com Alessandra de Rosa Pinho, que além da autora também é produtora executiva da série, para entender como é produzir um conteúdo com essa proposta. Pinho contém que uma série tem a pretensão de que as pessoas consigam acessar esse tipo de comunicação e a questão é Libras na tela principal, e não em uma janela, como tradução. Além disso, ela relembra que ou abrevia o serviço como pesquisa para entender como trabalhar com pessoas surdas.

Desafios de um conteúdo diferente

A própria autora da série conta que não perdeu o desafio na hora de produzir:

"Crisálida é uma proposta inovadora por causa desse aspecto de Libras e português juntos, mesmo produto com essa estética. Uma idéia é que surdos e ouvintes assistem juntos, sentados sem o mesmo sofá. Então você pensa em um formato que não existe e pode usar isso em prática é um processo de vários erros e acertos, porque muitas pessoas pesquisam, fazem vários testes, e produzem em si e trabalham com atores surdos também foi um grande desafio para a equipe técnica e para o diretor, que também aprendeu Libras para poder lidar com esses atores ", aponta.

Pinho também diz que vários intérpretes foram contratados para trabalhar com uma equipe durante a produção: "Também chama um consultor após o processo de criação de um processo para a criação de um roteiro para quem sabe contar o ponto de vista dos surdos e não apenas como eu autora ouvinte falando sobre eles ". A autora reitera que o principal desafio era uma questão de ser, acima de tudo, uma série de entretenimento: "Não é um documentário, é uma ficção. As pessoas também tratam de vários temas que são comuns aos jovens surdos. esse desafio de tornar esse produto atraente para ouvintes e ouvintes, para que ele não fique só na comunidade surda ".

Um produto executado também chama atenção para outras questões: "Produzir audiovisual aqui no Brasil não é nada fácil, é difícil contar com recursos públicos. Estamos há seis anos trabalhando em crise", conta. "Claro que existem barreiras, inclusive preconceito também. O projeto em si se torna um pouco marginal. A gente já ouviu outros festivais e se sentiu excluída, tem toda essa questão das pessoas com um pouco de estranheza. Tudo o que Mas hoje em dia temos percebido que tem ajudado a abrir muitas portas, inclusive para nós como produtores ".

Como gravações da série foram realizadas entre janeiro e março de 2018, com direito a uma preparação bem intensa. A produção conta com atores ouvidos que já tiveram experiência, mas os atores surdos não tiveram trabalhos executados, com exceção de alguns deles que já foram executados no curto, então já sabiam como se comportar no conjunto, mas foi feita uma preparação não apenas na relação a ensaios e a Libras.

"A gente também fez tradução de textos, os atores ouviram precisamente aprender um pouco de Libras, ou o consultor fez uma fiscalização para ver se estava certa durante toda a sinalização. Para os atores foi tudo muito diferente, muita novidade. Durante as gravações, foi também cria um sistema de trabalho em que é exibido em Libras em vários momentos sem definir e os técnicos aprendem ao longo das gravações ", contêm um produto executável.

Para a segunda temporada, Pinho conta que a equipe já pensa em fazer um processo de preparação um pouco maior para quem chegue mais rápido e familiarizado com Libras, já que a expectativa é de um número maior de testes. "É um trabalho um pouco maior, estamos torcendo para que saiam logo os recursos da segunda temporada. A idéia é que ela tenha mais seis minutos da meia hora cada", afirma.

Inclusão

Quando o Pinho começou a estudar Libras, sentiu a vontade de parar de trabalhar com a produção audiovisual para ser intérprete. "Achei que poderia ajudar os surdos. Quando eu mostro meus colegas surdos e soube dessas pessoas incríveis, percebi que elas não precisavam de ajuda, mas sim de reconhecimento, valorização e oportunidade, o que é diferente. Foi quando descobri a minha missão nessa área: levar essas histórias ao público ", relembra.

Questionado sobre a importância da inclusão, ela contém os sujeitos sobredimensionados, quando assistidos em série, ficam encantados ao ver um produto falando sobre eles e acabam se sentindo reconhecidos ao mesmo tempo que uma equipe percebe uma transformação social sendo realizada. "O mais legal é ouvir as pessoas que não têm contato com esse universo e que, ao assistir Crisálida, começam a refletir sobre isso, têm empatia".

A autora ainda ressalta: "É incrível o número de pessoas que me escrevem dizendo que querem aprender Libras e isso é uma realização, porque quando começar a aprender Libras, elas começam a se comunicar com surdos, então essa barreira vai passar muito bem menos importante. Então, é muito importante ter conteúdos que falham sobre essas diferenças, temas que falham sobre a realidade das pessoas que às vezes não são vistas pela sociedade.

Netflix

Desde 2016, uma equipe já vinha tentando fazer com que o Netflix exibisse uma série. Uma ideia original era de que a própria plataforma de streaming produzisse uma série, mas não houve interesse. Por causa disso, como produtos decididos a fazer primeiro e depois oferecer o produto pronto. "Tentamos várias vezes. Em outubro de 2019, já iniciamos o edital para a segunda temporada, depois escrevemos para o Netflix novamente e, para a minha surpresa, um mês depois eles me escrevem dizendo que queriam", afirma um produto executivo. Alessandra ainda está interessada na possibilidade da Netflix, colocar uma série em outros países, já que enquanto está apenas no Brasil e em Portugal.

No ano passado, uma equipe esteve no Festival de Cinema de Gramado participando de um evento chamado "Legenda para quem não mergulhou, mas é emocionante" e teve a oportunidade de assistir a mais filmes produzidos em Libras. "Uma pessoa ajuda duas vezes a cortar em língua de sinais e com uma fotografia muito rica. Esperamos que em breve eles estejam no mercado, porque saberá que a crise pode abrir algumas portas para outros projetos e para quem é interessado em falar sobre os surdos, ou de fazer projetos bilíngues ", concluiu uma produção.

Outras produções inclusivas

Crisálida foi a primeira série do Brasil a partir dessa proposta bilíngue, mas há produções de outros países que investem na mesma temática. É o caso, por exemplo, de Comutado no nascimento, que estreou na família ABC em 2011, criou o bilíngue em Língua Americana de Sinais e Inglês. "Essa série também usa uma língua de sinais na tela principal e também foi uma referência para pessoas, porque, quando você cria o projeto, tem muitas dúvidas sobre isso. Comutado no nascimento, uma prova de que dava certo e que poderíamos ter um produto nesse sentido, e isso é válido no nosso projeto ", conta Pinho.

Cena da série Switched at Birth (2011)

Uma série gira em torno de duas adolescentes que foram trocadas sem nascimento e cresceram em ambientes muito diferentes: uma em uma região nobre; outra numa região bem mais pobre. Quando Daphne Vasquez (Katie Leclerc) é uma garota que ficou surda quando criança devido a um meningite e que estuda em um colégio especial para surdos. Ela consegue se comunicar com as pessoas ouvidas desde que tenha contato visual, para que possa fazer leitura labial. Com cinco temporadas, uma série foi encerrada em 2017.

O filme O martelo (2010), que também utiliza a Língua Americana de Sinais (ASL), conta a história de Matt Hamill, um dos mais emblemáticos lutadores surdos dos Estados Unidos. Nascido na cidade de Loveland, em Ohio, e incentivado desde criança por seu avô, Matt fez da luta livre algo central em sua vida, não recuperando as tentativas para ser o melhor. Quando jovem, depois de perder uma bolsa de estudos na Universidade de Purdue, ele ingressa no Rochester Institute of Technology, onde – além de brilhar em campeonatos nacionais – estreitou contato com o mundo surdo, um ASL e começou Kristi, militante surda por quem logo se apaixonou. Estrelado por Russel Harvard, ou filme conta com a participação de Shoshannah Stern, Michael Anthony Spady e Lexi Marman, também surdos. O grande mote do filme é que ele traz uma série de questões relacionadas ao dia-a-dia das pessoas surdas.

A Família Bélier (2015) é outra produção francesa que também traz tanto a língua francesa quanto a língua francesa de Sinais (LSF). Uma comédia conta a história da família Bélier, que é toda a surda. A única exceção é Paula (Louane Emera), uma jovem de 16 anos que possui uma função de intérprete oficial dos pais e figura fundamental na administração da fazenda. Um dia ela descobriu um dom para o canto e decidiu participar de um concurso da Radio France.



Fonte: Post Completo