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PF cumpre mandados de busca e apreensão em residências de Witzel para investigar irregularidades na saúde – 26/05/2020


Por Rodrigo Viga Gaier e Ricardo Brito

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RIO DE JANEIRO / BRASÍLIA (Reuters) – A Polícia Federal, nesta terça-feira, mandou busca e apreensão em residências oficiais e funcionários do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), como parte de uma investigação que apura supostas irregularidades na área de saúde e instalação de hospitais de campanha para combater a pandemia de Covid-19, informou a PF.

Como diligências acontecem no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador, e no bairro do Grajaú, onde Witzel tem residência pessoal. Os mandados foram expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde os governadores têm antecedentes judiciais. Uma equipe da Polícia Federal de Brasília participa da operação. Os policiais federais passaram cerca de duas horas no Palácio Laranjeiras.

Witzel determinou que o usuário tenha sido licitado por uma operação mais recente da Lava Jato e que pessoas com menos de 65 anos aplicaram descontos em contratos firmados pela Secretaria de Saúde do Estado. Os benefícios ocorridos desde uma época do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB).

Witzel foi citado nas conversas telefônicas por alvos de um braço da operação da Lava Jato, um Favorito, sem escopo de credenciamento de uma empresa que estava proibida de prestar serviços ao setor público. Uma empresa também ligada ao empresário Mário Peixoto, um dos maiores fornecedores do Estado, que foi presa em operação pela Lava Jato.

Duas semanas antes, o ex-subsecretário-executivo da secretaria estadual de Saúde Gabriell Neves e o substituto dele foram presos acusados ​​de irregularidades nas compras emergenciais para combater uma pandemia de Covid-19. O episódio e a demora na entrega de hospitais da campanha prometidos pelo governo estadual para combater a doença resultaram na saída do secretário de saúde Edmar Santos, que ganhou uma nova secretaria, ou que garantiu seu privilégio.

Os hospitais de campanha custam cerca de 800 milhões de reais, mas das sete unidades necessárias, apenas uma está funcionando. Todos devem estar abertos no fim de abril.

Foram cumpridos 12 mandados, sendo 10 deles no Rio de Janeiro e dois em São Paulo.

Em nota, Witzel negou envolvimento em qualquer irregularidade e atribuiu uma operação desta terça-feira a uma interferência do presidente da República, Jair Bolsonaro, quem é desafiador político, após o ex-ministro da Justiça Sergio Moro acusado ou presidente de buscar interferir politicamente na PF .

"Estranha-me e indigna-me sobremaneira ou fato absolutamente claro dos deputados bolsonaristas anunciados em redes sociais nos últimos dias uma operação da Polícia Federal direcionada a mim, ou que demonstra claramente que houve vazamento, com uma construção de uma narrativa que nunca se confirmar ", afirma Witzel na nota.

"Uma interferência anunciada pelo presidente da República está oficialmente oficializada. Estou à disposição da Justiça, meus sigilos abertos e estou tranquilo sobre o desdobramento dos fatos."

Na segunda-feira, a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), uma das mais próximas aliadas de Bolsonaro, disse em entrevista à Rádio Gaúcha que já havia alguns governadores investigados pela Polícia Federal por supostas irregularidades em contratações no combate ao combate à pandemia.

Bolsonaro foi indicado por jornalistas ao deixar o Palácio da Alvorada nesta manhã sobre uma operação que teve Witzel como alvo e afirmou: "Parabéns à Polícia Federal. Fique sabendo agora pela mídia. Parabéns à Polícia Federal, ta ok?" Perguntado se Zambelli sabia da operação, o presidente disse que a pergunta deveria ser feita à deputada.

Na semana passada, Witzel disse à Reuters que havia rumores de que poderia ser alvo de uma operação da PF junto com outros governantes que fizeram oposição a Bolsonaro.

Também na semana passada, a Procuradoria Geral da República (PGR) solicitou as investigações do STJ contra a Witzel e os governadores do Pará, Helder Barbalho (MDB), e do Amazonas, Wilson Lima (PSC), por suspeitas de irregularidades em contratações emergenciais isoladas no âmbito de combate à pandemia.

A operação que tem Witzel como alvo acontece no momento em que o gerente Paulo Marinho, substituto do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, presta novo depoimento na sede da PF no Rio depois de publicar o jornal Folha de S. Paulo que Flávio soube antecipadamente uma operação da Polícia Federal que atingiu Fabrício Queiroz, assessor parlamentar do filho do presidente quanado e era deputado estadual no Rio.

Marinho, que foi o próximo candidato a Bolsonaro durante uma campanha eleitoral de 2018, mas depois de romper com o presidente e com seus filhos, é candidato a deputado federal do Rio de Janeiro pelo PSDB. Ele não investe em pesquisas que acusam Moro de que Bolsonaro busca interferir politicamente na PF, investigação sob responsabilidade do ministro Celso de Mello, Supremo Tribunal Federal (STF).

(Edição de Eduardo Simões)



Fonte: Post Completo