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Presença das Forças Armadas junto a Bolsonaro faz mal à instituição – 26/04/2020 – Janio de Freitas


Há um ano e 19 dias, o general e já vice-presidente Hamilton Mourão fez um comentário muito importante em dois pontos: “Se o governo falhar, uma conta será chamada de Forças Armadas”. Ele estava implícito no reconhecimento de uma arma militar, um retorno sem armas ostensivas, sob o rótulo de governo Bolsonaro ou o Cavalão de Troia. E ali estava explicitado, sem destinatário de conta possível, quem teria responsabilidade, fato, qual seria o novo governo.

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Justifica-se então a pergunta: o que mais, e mais grave, ainda pode ocorrer para os representantes das Forças Armadas no governo como desvinculares, finalmente, da responsabilidade pela catástrofe moral e governamental que arrasa este país?

A presença desses representantes junto a Bolsonaro, sua trupe e suas relações cavernosas faz mal às Forças Armadas como instituição, deforma-se outra vez e como desmoraliza. Faz mal ao país com aceitação e apoio, aparentes rostos de concordância, desvarios, ligações militares, mentiras, fraudes, traições, incidentes internacionais, danos de recursos nacionais, incentivos à violência generalizada, medidas antissociais, crimes de responsabilidade e crimes contra a humanidade pelos quais Bolsonaro deve responder. De preferência com algemas, porque é perigoso.

Os militares precisam fazer um exame honesto e profundo de sua relação com o país. Sem isso, sua caracterização militar será sempre um rascunho e sua autoimagem sempre ilusória.

Por décadas, foi este o bordão dos militares em sua responsabilidade institucional institucional: “Os militares estão unidos e coesos, e alheios à política”. Mas estiveram sempre divididos. Por motivos políticos. O bordão não pós-ditadura, hoje em dia muito repetido, diz que “os militares têm disciplina e hierarquia”, uma comparação desqualificante do mundo civil. Quanto aos civis brasileiros, nada a retocar. Mas, historicamente, nenhum outro segmento afeta tanto a disciplina, quanto a gravidade, quanto os militares.

Com escassos e pequenos intervalos, desde uma articulação para derrubar uma monarquia sucederada como conspirações, tentativas de golpe, golpes consumidos, duas ditaduras, sem que a presença civil seja alterada pela natureza, de imposição pelas armas. Não é uma história paralela. É própria, verdadeira, com seu roteiro de hostilidades, esperanças e frustrações, sobre o chão infértil para o civismo.

O mesmo general e vice Hamilton Mourão foi o primeiro (e único, quando escrito) dos militares a expor um comentário sobre acusações (iniciais) de Sergio Moro a Bolsonaro: “Perder Moro não é bom, mas a vida segue”. Segue para onde?

Nem é preciso mencionar outras atitudes de Bolsonaro: basta designar o delegado Alexandre Ramagem para dirigir a Polícia Federal. É a confirmação do objetivo de Bolsonaro de controlar ou impedir a investigação de crimes políticos orientados pelo Supremo Tribunal Federal. Bolsonaro não retira nem o cinismo, é verniz da falta de escrúpulos, na escolha do noticiário aliado dos seus filhos postos sob inquéritos criminais.

Também esse crime de responsabilidade, esse banditismo intrometido nas instituições constitucionais, “segue” aceito, e portanto apoiado, pelos que não governam se confundem com as Forças Armadas? O cercamento da ação Supremo significa o fim do regime de Constituição Democrática.

Não é preciso imaginar o que, afinal, levaria à desvinculação das Forças Armadas com a versão brasileira do Idi Amim Dada. Já chegamos ao máximo. Que, no entanto, segue.

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Fonte: Post Completo