Serviço de Desentupidora em São paulo

Sem dinheiro e com bebês, 180 colombianos no aeroporto de Guarulhos


Sem dinheiro e com bebês, 180 colombianos no aeroporto de Guarulhos

Por: FOLHAPRESS – FLÁVIA MANTOVANI E ZANONE FRAISSAT

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23/05/2020 às 08:00

Brasil e Mundo

VIÇOSA, MG, SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Sem dinheiro no meio da pandemia de Covid-19, altas colombianas dormem há dias no aeroporto de Guarulhos, buscando u …

VIÇOSA, MG, SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Sem dinheiro no meio da pandemia de Covid-19, vítimas de colombianos dormem há dias no aeroporto de Guarulhos, buscando uma forma de voltar ao seu país. São 180, segundo número de contagem que eles fazem pelo meio de uma planilha, e a cada dia chega mais – outras armas chegam de outras cidades, caminham por dias ou pegam carona na estrada.
Entre eles, há estudantes, turistas e imigrantes que vivem no Brasil e ficam sem renda por causa da quarentena. Algumas famílias têm crianças, uma mais nova com 26 dias de idade.
Eles pedem que o governo da Colômbia, por meio da embaixada, organize um voo humanitário de repatriamento, sem cobrança de passagens ou envie um avião da Força Aérea para buscadores-los. A opção oferecida até agora, dizem eles, é de US $ 420 a US $ 460 (R $ 2.300 a R $ 2.500), no caso dos que não tiveram bilhete comprado e US $ 140 (R $ 770) para os que já tiveram, mas tiveram o voo cancelado durante uma pandemia.
No último dia 11, a Folha de S.Paulo publicou uma reportagem com 15 colombianos que também dormiam no aeroporto por não terem como arcar com passagens de volta. Três dias depois, eles foram integrados à embaixada nas vagas remanescentes de um voo comercial, sem precisar pagar.
O grupo atual, por uma questão de espaço, divide-se em três partes do terminal 2. Eles dizem que os primeiros chegaram há 12 dias. A reportagem estava no aeroporto e apresentava uma situação. Há uma barraca e alguns colchões que recebem doação, mas a maioria dorme no chão ou em cadeiras.
"Eu já nem consigo dormir mais", diz a engenheira Monica Ramírez, 37 anos.
Ela afirmou que veio no dia 8 de março e teve seu voo cancelado, mas não conseguiu o ressarcimento do valor da passagem. "O dinheiro acabou, e não conquistou ninguém no Brasil, então vim para cá."
Monica se tornou uma das organizadoras da rotina do grupo, que vive na base de doações brasileiras e na comunidade de imigrantes colombianos no Brasil. "Tem que ser uma marmita para duas pessoas, para sobrar para o jantar", diz uma pessoa, enquanto conversa com uma reportagem, sobre refeições que acabam de receber. "O pessoal dos restaurantes do aeroporto de ajuda, as pessoas que não conhecem os alimentos doam, leite e fraldas para crianças. Temos 100% de gratidão pelos brasileiros."
Ela afirma que eles têm cuidados para proteger o coronavírus. "Todo mundo usa máscara, temos álcool, cada meia hora lavada como mãos. Sempre medimos a temperatura com o pessoal do aeroporto, que é tratado muito bem. Nenhum momento nosso grupo está sendo saudável."
Segundo Monica, o consulado da Colômbia enviou representantes ao local somente na última terça-feira (19). "Eles anotaram os dados de apenas 26 pessoas. Não deram mais nenhuma palavra, não quiseram escutar, e ninguém voltou a entrar em contato com alguém depois disso", afirma.
Em nota divulgada nesta sexta-feira (22), uma embaixada da Colômbia que organiza três voos comerciais de retorno saindo do Brasil, nos quais voltados 347 cidadãos do país e que tem o compromisso de "apoiar, acompanhar e orientar os colombianos que se separa no Brasil ". Diz ainda que tenta viabilizar outro voo de retorno, mas será voltado apenas para aqueles que estão no país "turismo, negócios temporários ou estudo" e que não tem garantia de saia de São Paulo.
Um aeroporto GRU, que administra ou aeroporto, afirma que acompanha uma situação e que já fez contatos com autoridades e consulado da Colômbia.
Os colombianos dizem que o aeroporto de Guarulhos também não estava no local e oferece um abrigo, mas não quiseram ir porque sua prioridade é voltar ao seu país.
Muitas pessoas do grupo são imigrantes que vivem no Brasil, mas permanecem sem renda durante uma pandemia. É o caso de Stefany Carvallido, 24 anos, e seu marido, que estavam completando dois anos no país e agora estão no aeroporto com uma filha de dois anos.
O casal vende roupas nas feiras de rua e viu sem conseguir trabalhar por causa da quarentena. "Colocamos as mercadorias nas redes sociais, mas as vendas não estão pagando aluguel e contas. Você sabe como São Paulo é cara. As pessoas gostam muito do Brasil, do povo brasileiro. Mas não está dando para continuar aqui. Na Colômbia temos uma família para nos apoiar ", diz ela.
Para Stefany, o mais doloroso da situação é ver a filha "passando por tudo isso". "Ela chora de madrugada, porque não consegue dormir, estamos em cima de cobertores. É muito difícil. Mas no momento não temos alternativa."

Publicado em Sáb, 23 de maio de 2020 07:40:00 -0300


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