Única brasileira no basquete dos EUA, relacionada à quadra em "bolha"


Única representante brasileira atuando na WNBA, uma liga feminina de basquete dos Estados Unidos, que viveu a expectativa do início da edição 2020 da competição, que foi adiada devido a uma pandemia de novo coronavírus (covid-19). A temporada começa no próximo sábado (25), duas semanas após a volta aos treinos, que ocorreu no último dia 10. Tanto a preparação dos jogadores quanto as partidas começam na IMG Academy, em Bradenton, na Flórida, sem presença pública.

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As atletas estão, no momento, imersas em uma “bolha” – termo usado pela própria liga para definir a estrutura montada para viabilizar a realização da temporada em meio à pandemia. Elas são submetidas a testes diários de covid-19 e treinadas com bola somente em um período, sempre utilizando máscaras e passando álcool em gel nas mãos. Fora da quadra, a rotina é assistir a jogos e estudar como rivais.

“Eu estava com muita saudade de jogar basquete, dos treinos coletivos. A gente viu ou brilhou nos olhos de outras (voltar para quadra) ”, relacionado com a jogadora de Minnesota Lnyx, em entrevista coletiva nesse sábado (18), realizada por videoconferência. “Isso é o elenco de estar junto ao tempo inteiro, estou meio que acostumado no Brasil, mas aqui é meio diferente. A gente normalmente se encontra tão em quadra. Agora, estamos mais juntas e tem sido até melhor. A gente brinca mais, se reúne para jogar videogame ou filme, aproveitando cada momento ”, descreveu.

Na Flórida, onde se encontra uma "bolha" da WNBA, atualmente é o epicentro da pandemia nos Estados Unidos, com mais de 333 milhões de casos positivos da doença. O avanço da covid-19 é pauta das conversas entre os atletas. “Está todo o mundo otimista, mas sempre tem um pouquinho de medo, porque alguém não tem controle da situação. Cada dia que liga a TV é uma notícia nova, que está piorando aqui na Flórida. A gente ouve muita coisa, mas está otimista que tudo passa e até o fim da liga como coisas que estão melhores ”, disse.

Um pensamento positivo que, segundo Damires, passa pelo contato frequente com uma psicologia da equipe – inclusive para administrar uma preocupação com a família, que permaneceu no Brasil. “Algumas meninas trouxeram mãe, filho, marido, a gente fica meio apreensiva. O mundo está usando uma bagunça, mas está aqui tocando, com todo o cuidado, sabendo que a família está longe, mas que todo o mundo está bem, é o melhor para estar em casa. O trabalho com psicologia, em grupo ou indivíduo, ajuda muito ”, afirmou paulista, natural de Ferraz de Vasconcelos, cidade da região metropolitana de São Paulo.

A estreia do Minnesota Lynx, de Damiris, pela liga norte-americana – considerada principal do mundo no basquete feminino – será no próximo dia 26, um domingo, contra o Connecticut Sun. Normalmente, como as equipes da WNBA fazem 34 jogos na temporada regular (ou seja, antes da mata), mas devido a adaptações no calendário feitas por causa da pandemia, elas são exibidas pela frente 22 confrontos. As oito melhores campanhas entre os 12 participantes avançam para os jogos decisivos. A expectativa é que a competição seja concluída até outubro.

Cenário nacional

No caminho da sexta temporada na WNBA, Damiris também é um dos principais nomes da seleção brasileira, que chega em um 2019 de altos e baixos. Mesmo sem um pivô, uma equipe que terminou de ser assumida pelo técnico José Neto – que nunca havia trabalhado com um naipe feminino – conquistou uma medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima (Peru), superando os Estados Unidos na final ( como norte-americanas competiram com uma equipe universitária). O tempo que repetiu um feito que não era alcançado desde 1991, quando Hortência e Paula ainda defendiam uma seleção.

Depois, veio ou bronze na Copa América, já com uma jogadora de 27 anos no elenco – inclusive, foi escolhida uma das cinco melhores do torneio. O resultado garantiu o Brasil no pré-olímpico de modalidade, onde o sonho de ir para os Jogos de Tóquio (Japão) terminou, após derrotas para a França (anfitriões do qualificatório), Porto Rico e Austrália. Apesar disso, Damiris considerou o nível mostrado pela equipe, desde o início do trabalho com Neto, traz uma perspectiva boa para o ciclo da Olimpíada de Paris (França), em 2024.

“Ele trouxe muita coisa boa e nova para o basquete feminino. A evolução é nítida e estamos no caminho certo. Temos nos falado semanalmente. Ele está com muitas coisas na cabeça e quer colocar-las para treino. O melhor do Neto é que ele está sempre disposto a aprender. Chegou agora, mas está estudando muito para entrar na verdade neste mundo ”, enalteceu um pivô. “Infelizmente, não veio uma classificação olímpica, mas, a gente mostrou que pode muito”, completou.

Damiris também se disse otimista sobre a possibilidade de avançar na modalidade no Brasil, embora entenda que, no momento, o cenário esteja "meio estacionado". Ela participou cinco vezes da Liga de Basquete Feminino (LBF), sendo a última em 2017. O campeonato deste ano, iniciado em 8 de março, foi interrompido após três jogos executados, devido a pandemia e cancelado três meses depois.

“De um tempo para cá, vi melhorias na liga, mas, acho que a gente está meio estacionada. Acho que precisamos de mais investimento e visibilidade. O basquete feminino está interessado nessas coisas. Acredite que estamos em um caminho melhor, mais pessoas estão olhando ”, analisando, destacando o papel das atletas brasileiras nesse processo. “Nós, jogadores, temos conversado muito. Queremos mudar e uma forma precisa de visibilidade, como empresas diferentes. Acho que é o momento de, juntas, brigarmos pela causa ”, concluiu.



Fonte: Post Completo