Vela para quem merece: cão de rua ganha velório e cremação no ABC paulista – Entretenimento


Para os amigos, Black era o faceta. Companheiro, inteligente, sensível, folião, destemido, carinhoso, todo-ouvidos. Aquele velório era o mínimo que podia fazer pelo ser maiúsculo que ele foi.

Desentupidora Daqui da Cidade Faz todos os serviços de  Desentupidora em todos Bairros da Cidade, a qualquer hora do dia ou a da noite pode contar com A Desentupidora Daqui da Cidade atende em qualquer bairro da Cidade e em toda a Região. A Desentupidora da Cidade faz todos os serviços de Desentupimento de Esgoto neste que é um dos Bairros mais querido da nossa Cidade. Caso queira ver nossa tabela de preço para serviço de Desentupidora em Cidade Clique aqui.

Desentupidora Daqui da Cidade atende 24 horas em todos os bairros da Cidade

Desentupidora
Desentupidora Daqui da Cidade
 

Na capela 2 – nem franciscana, nem luxuosa -, quatro poltronas pretas, dois pedestais de granito escuro, uma mesa de base com moca, água, copos de plástico, papel higiênico, controle do ar condicionado, fósforos e incensosavam a família de Preto.

Rafael foi o primeiro a chegar. Estava sem máscara e parecia engolir o pranto. Mal vislumbrou a pequena caixa branca de alças douradas, apertou os olhos com os dedos e caiu num pranto. Deitado de lado, o cão estava resguardado com duas mantas, uma de TNT e outra de tecido plissado, decorado com seis flores artificiais e recoberto por um véu de tule.

Aline entrou minutos depois, acompanhada de Clotilde, e agiu uma vez que se não fosse a primeira vez. Levantou o véu e passou a afagar o venta levemente grisalho do companheiro. Amanda, com frase doída, coçou o cocuruto dele. Felipe chegou mais pro final da informação e se embicou no espaço de devoção que restava.

O cão era de todos, e não era de ninguém. Vivia na Cristóvão Jaques, uma ruela sem saída em São Bernardo do Campo, região do ABC paulista. Doze anos detrás, chegou uma vez que uma esfera de pelo negra para morar com uma mãe e dois filhos. Na maior segmento do tempo, ficava recluso na laje da morada. Quando ganhou o térreo, não aceitou mais voltar para o caminhar de cima. A família mudou de bairro, e Black permaneceu na rua, que assumiu uma vez que sua. Esforços avulsos para botá-lo para dentro foram em vão.

“Ele dava um rolê pela morada, mas logo enfiava o nariz no portão, ficava olhando pra fora, deprimido, não queria manducar”, lembra Rafael Victor Ferreira, 24 anos, comentador de TI. Black especialidade uma casinha na curva lá de plebeu e aceitava de bom grado ração, mesocarpo e biscoitinhos caninos. Comida com envoltório de gordura não lhe apetece. “Teve uma vez que ele esnobou uma costela, acredita?”, Recordou Rafael, o mais comovido da turma. Um dos presentes destacou os dentes perfeitos de Black, sem tártaro nem zero. Devia ser porque roía madeira, deduziram todos. Era um puro-sangue sem raça definida.

O velório corria com o pessoal exaltando as virtudes do falecido, entre um carinho e outro na ouvido. Black reconhecia o estrondo dos carros do pedaço, e logo atinava quando aparecia um estranho motorizado ou a pé. “Ele era o segurança da Cristóvão Jaques”, sentencia o professor de ensino física Felipe César de Souza, 26. A bióloga Amanda Alves de Moraes, 36, lembra a prestígio dele num período difícil, quando ela temia transpor de morada. Ao seu lado, Black a encorajou passo a passo a voltar ao convívio dos humanos.

O cachorro cobriu a puerícia, mocidade, juventude, meia e maior idade da vizinhança de 15 casas. Felipe até achou melhor o pai dele não ter aparecido. “Ia permanecer chateado.” Mas, há murado de dois meses, a saúde de ferro do cão deu sinais de falência. Um tumor se agigantava na ventre. A contadora Aline Silva, 25, do veterinário o diagnóstico de cancro de próstata e linfoma avançado. “Se tivessem obrigado castrar o Preto quando era jovem, doença talvez não tenha aparecido, mas fiz um escândalo por culpa disso por puro machismo”, diz.

Com a aval da comunidade, ela achou por muito comum-lo já debilitado para a Granja Cloric, abrigo localizado na mesma cidade, onde ele passaria seus últimos dias com mais de 120 cães e quase o mesmo tanto de gatos mantidos pela amiga Clotilde Criancinha de Souza, 74. No sábado, 24 de outubro, Black foi eutanasiado numa clínica. Aline portanto transferiu para ele o projecto preventivo do PET Memorial talhado num primeiro momento para seu cão Moisés ou para sua gata, Lilith, ambos com 9 anos. “Queria dar um final digno ao Black e a oportunidade de as pessoas se despedirem dele”, diz.

A contadora mostra outro velório no celular, o do leal Buck, que faleceu aos 15 anos no dia 23 de agosto de 2019, dia do natalício dela. Billy veio para a instrução, também no PET Memorial, e deu uma última lambida visual no companheiro. Amanda até apresentar em trazer Snoopy, com quem Black se dava, ou nem tanto. “Não vamos olvidar que o preto era territorialista”, alertou Rafael, em nome da verdade. “Mas Snoopy é muito grande e achei melhor não”, diz Amanda, meio na incerteza.

Depois de 40 minutos, tempo sumo permitido para o velório, um funcionário do operacional se posicionou discretamente do lado de fora, arauto do doloroso momento de tampar a urna funerária. Os amigos se juntaram em torno do cachorro. Alguns fechar os olhos, Aline acomodou uma mão sobre a outra. Se fez reza, foi para dentro. “Tchau, Blackzinho”, pronunciou um deles.

Os cinco saíram vagarosamente, o caixão ainda crédulo. Com um celular, um dos funcionários fez um vídeo limitado a partir de uma cascata ao caminho da capela, terminando no rosto de Black. O crematório mandaria na quinta-feira seguinte a gravação para Aline, sonorizada com uma melodia oriental.

Dois funcionários desceram com o caixão por uma via asfaltada, uma tampa solta oscilando ao gingado dos passos, até uma sala com mesa metálica. Black ficaria numa câmara fria até a cremação, quatro dias depois.

Naquele sábado, 31 de outubro, antevéspera de Finados, caía uma garoa fina, clássica do período. Nenhuma psique na capela 1, nem nos jardins. Ninguém falou que Black viraria estrela. Não era o estilo. Mas talvez tenham questionado consigo por que os bons se vão tão cedo.

A bailarina de dança egípcia Giselle Kenj, dona da píton Shiva, que morreu em 2019 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal

A bailarina de dança egípcia Giselle Kenj, dona da píton Shiva, que morreu em 2019

Imagem: Registro pessoal

Urnas e São Francisco

Fundado há 20 anos, o PET Memorial é o primeiro crematório de animais de estimação da América do Sul. Orlando Alessi, veterinário e diretor mercantil do PET Memorial, afirma que de março a junho de 2020 houve um aumento de 28% nas cremações e 36% nos velórios, em relação ao mesmo período de 2019. Quase 900 cremações e 130 velórios são feitos mensalmente .

Cinco pessoas, uma vez que os cinco parceiros de Black, são o generalidade na generalidade, embora em tempos de Covid-19 se dê preferência a cerimônias online. É uma audiência muito subalterno às 350 pessoas que se revezaram na capela 1 quando do velório do leão Ariel, em 2011.

O felino não é o único bicho extracurricular nessa lista. Afora cães e gatos, e os também populares tartarugas, coelhos, hamsters, porquinhos-da-índia, papagaios e calopsitas, o PET Memorial já cremou um galo de nome Pavarotti e um píton de 2,80 metros, que 15 tinha anos.

Giselle Kenj, bailarina de dança egípcia, conta que Shiva, a píton de sexo masculino em questão, foi adotada por ela depois da morte de um companheiro. O bicho parou de respirar em seus braços, em dezembro de 2019. Ela aspergiu as cinzas no mar. “Não sei se existe uma entidade das Molas Desentupidora, mas na hora agradeci pelos momentos intensos e maravilhosos que vivemos”, diz.

Cada município ou estado possui uma legislação para reagrupar as condições de introdução e funcionamento de cemitérios de pets. Rio de Janeiro, em 2016, e Florianópolis, em 2017, autorizaram o enterro de animais de estimação da família em cemitérios públicos e privados, desde que a morte não tenha sido causado por zoonoses. Em São Paulo, a prática foi proibida em 2013. O prefeito Fernando Haddad alegava, entre outros motivos, que a proposta estava em desacordo com uma solução do Juízo Vernáculo do Meio Envolvente.

Em 2017, diante da morte de Joe, um pastor-de-shetland de 10 anos, o gestor Mauro Miranda acabou por escolher, pela internet, um cemitério para pets entre Atibaia e Mairiporã (SP), trecho pelo qual passava com certa frequência quando ia pedalar. A remoção foi feita pela equipe do cemitério. Joe foi pacato numa cova com a caminha e o cobertor, e Miranda posto uma pedra no terreno para reconhecer o lugar, já que não ofereciam placas de identificação. Pretérito um ano, no entanto, padeceu de tristeza ao desvendar que no sítio fora feito um aterramento. Nem sombra restou. “Na minha cabeça, ele voltou para a natureza, mas o que eu tinha de memória parece que foi embora”, diz. “O juízo que eu dou é para que as pessoas procurem lugares que vão permanecer.”



Natividade: Post Completo