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Zoológico de São Paulo reabre com 'quarentena eterna' de bichos – 18/07/2020 – Cotidiano


Logo de manhã, com uma escassa presença de pessoas por todos, quem pode ir alto e agudo em São Francisco, ou o maior lago do Zoológico de São Paulo, são os irerês, aves cujo nome, de origem tupi, tenta imitar sua voz.

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Assim como as marrecas-caneleiras e caboclas, elas fogem do frio do Sul. Nesta temporada, estima-se que 4.000 aves visitem ou zoológico, uma ilha da mata atlântica gravada na zona populacional do sul paulistana.

Com cerca de 2.000 animais, 242 espécies, entre elefantes, leões, araras e macacos, os irlandeses talvez passem despercebidos para olhar menos atentos de quem percorre o Zoológico de São Paulo, ou o maior país, cuja reabertura se deu na segunda feira (13)

Nesta etapa, somente uma área aberta, de quase 60 mil m², terá acesso liberado. Após 90 dias de portas cerradas, uma instituição não reduziu nem reduziu a equipe (39% da folha de pagamento paga por recursos públicos e 61% são de receita própria).

A falta de público devido à pandemia causou uma crise no mundo zoológico afora e gerou uma onda de discussão sobre o futuro desse tipo de espaço.

Em São Paulo, filas para ingressos, preços de R $ 25 a R $ 55, são demarcadas para garantir o distanciamento social. A temperatura de quem entra é medida. Máscaras são obrigatórias, assim como passar pelo sistema de desinfecção do solado de calçados.

Álcool em gel é distribuído em dezenas de unidades espalhadas pelo parque, que funciona das 10h às 16h, exceto aos sábados, domingos e feriados, quando se deve abrir uma hora antes. O número de visitantes agora é limitado a 6.500 por dia.

“Fico feliz com a reabertura”, diz Raquel Tardelli Calarota, 41 anos, de Ribeirão Preto (SP). Ao lado de dois filhos, já estava em outras ocasiões no zoológico da capital. “Os interiores não têm estrutura. Os animais ficam deprimidos, em espaços pequenos ”, conta.

Num momento em que os humanos se sentem "contaminados" devido a uma pandemia de novos coronavírus, uma reabertura de zoológicos trazidos para o resgate de questões éticas relacionadas à vida de animais selvagens em cativeiro. Pergunta, por exemplo, se uma reclusão de animais seria a melhor maneira de manter contato com eles.

Para Pedro Ynterian, 80, esses lugares são obsoletos e representam um contrassenso. “O movimento repetitivo dentro de jaulas, aliado ao fluxo constante e ao barulho de pessoas, transforma a vida de animais de zoológicos em uma verdadeira tortura”, diz. “A procriação de animais em cativeiro deveria ser proibida.”

Ynterian é dono do Santuário de Grandes Primatas, afiliado ao projeto GAP, movimento de proteção aos primatas não humanos (chimpanzés, gorilas, orangotangos e bonobos), presente em cerca de 20 países. No santuário criado por ele há 22 anos em Sorocaba (SP), vive 250 animais, principalmente primatas, oriundos de tráfico, abandono, circos e zoológicos.

Os santuários no Brasil não são espaços de exibição, como ocorre nos Estados Unidos, mas sim, acolhimento de espécies com histórico de maus tratos. “Não existe visita indiscriminada para entretenimento humano”, avisa Juliana Camargo, da Ampara Animal, entidade que atua na defesa de animais domésticos e silvestres.

O Zoológico de São Paulo informa que educação ambiental, conscientização e fortalecimento da conexão entre humanos e animais são os principais pilares da instituição, que, desde 2018, é um instituto de ciência e tecnologia.

Diz ainda que a reabertura é uma oportunidade para reforçar uma ruptura com conceitos antigos, atrelados à recreação, ao lazer e entretenimento, fatores que não são apenas justificáveis ​​nos dias de hoje.

O zoo está envolvido em uma série de ações de pesquisa e conservação da fauna silvestre, explica uma biologia Mara Marques, 53. Cita como que ocorre com cinco espécies de animais ameaçados de extinção: mico-leão-preto, mico-leão-dourado, mico-leão-da-cara dourada, tamanduá-bandeira e arara-azul-de-lear.

O trabalho envolve reprodução e, em alguns casos, solução, além de uma base de estudos sanitários, voltada para seres humanos e animais.

Os planos de educação ambiental não limitam o zoológico. “Existem atividades em outras partes do país, como o cerrado, onde desenvolvemos o projeto Raposinha Vai à Escola, direcionado à proteção da raposa-do-campo, espécie endêmica regional regional”, diz.

Autor da lei 17.321, de 18 de março deste ano, qualificado para criação de novos zoológicos e aquários na cidade, ou verificador Xexéu Tripoli (PSDB) afirma que os zoológicos continuam sendo um espaço de exibição animal para entretenimento humano e que neles “ não existe educação ambiental ”.

Ele defende a redução de visitantes, o fim de passeios noturnos e a interrupção de procriação e aquisição de animais exóticos, os quais, continua ou verificador, pode ser transferido para áreas maiores, para exposição pública. “O foco”, diz, “deve retornar à fauna silvestre, promover uma procriação e uma solução”.

Contudo, uma inexistência de uma política ambiental nesse panorama governamental, segundo Ynterian, GAP, inviabiliza o retorno de animais silvestres ao seu habitat, cada vez mais ameaçada de destruição no país.

Em setembro, com uma chegada na primavera, espere que os ireres e outras aves migratórias da vida livre deixem o zoológico paulistano e rumem para casa, onde vão fazer mais barulho por uma causa nobre: ​​a procriação em meio à natureza.

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Fonte: Post Completo